sábado, setembro 25, 2004

A guitarra dedilha os primeiros acordes e arrasta o meu olhar para o palco do sucesso. Ela senta-se demorada e principia o seu concerto. A melancolia ir� instaurar-se dentro de um breve e fugaz segundo e hoje, mais que em qualquer outra noite, eu embarco na nave das recorda��es e pinto-te aqui comigo, quem dera...abra�ados a escutar as mais belas frases cantadas.

Sorris ou choras, n�o importa porque terei a mesma express�o que tu, n�o interessa qual, terei a for�a do teu olhar, porque nesta noite eu voltei a ser alma contigo, voltamos a um n�s. E recrio-te balan�ando o corpo ao som da melodia, beijando os meus cabelos e sussurando-me palavras doces e inesquec�veis. Porque nesta noite, mais que em qualquer outra, n�o tenho medo de te recordar. E por isso escuto os inquietos sons como se fosses tu que ali estivesses e a cada toque de luz atinjo-te maioritariamente.

Ela canta e eu canto com ela, para ti. Dedico-te todas as can��es, as letras, as melodias, as composi��es. Porque nesta noite � s� em ti que eu penso. No que daria para ouvires a mesma m�sica que eu, esta noite, aqui, hoje. E que me amasses como se tudo fosse findar amanh�. Mas o futuro n�o existe certo em n�s e nesta noite eu choro por saber que n�o est�s, que n�o �s.

E oi�o a �ltima can��o sozinha porque da minha ilus�o tu j� te foste embora...

[escrito no dia 24 de Setembro, pelas 2.30 da madrugada, depois de assistir ao vivo ao concerto de Mafalda Veiga...]

"Pressinto os teus gestos quando n�o est�s
procuro os teus sonhos perdidos...
� que hoje mais que qualquer outra noite
h� qualquer coisa que me fere
e que me faz tanto ter te aqui...
N�o importa
se �s vezes tudo � breve como um sopro
N�o importa
se for uma gota s� de loucura
que fa�a oscilar o teu mundo
e desfa�a a fronteira...
...entre a lua e o sol..."

quarta-feira, setembro 22, 2004

Deixa-me que te fale, que te conte uma hist�ria de fadas, encantada, de fantasia e de imagina��o. Deixa-me que te fale de duas almas:

Quando ela sofreu, na chuva, sozinha, ele apareceu. Quando ela, na ponte, se quis atirar, ele a segurou. Quando ela pintou com tintas negras a sua tela da vida, ele ofereceu um boi�o de tinta amarela para a alegrar. Quando ela suspirou por tristeza, ele tocou um cl�ssico na guitarra, dedilhando todos os momentos que j� passaram juntos.

Ela descobriu-o como tesouro essencial, ele encontrava aquele significado especial que atribu�a a ela. O cora��o apertava cada dia em que n�o se encontravam somente para se rir.

- E agora?

Semanas e semanas depois falam...

- E agora?

� ela que o procura, para o trazer de novo a este conto de fadas. Diz-lhe baixinho que n�o precisa de abandonar nada, apenas de recordar o que foi, o que j� n�o � mas talvez volte. Uma amizade n�o se perde. Mas ele diz-lhe que j� n�o se sente � vontade. E compara-a com tantas outras.

- Mais uma...

E o tal significado especial poderia ter sido diferente e n�o se perder. E os contos fantasi�veis tamb�m poderiam permanecer no ?tapete voador do calend�rio?...mas para qu� compreender a incerteza da vida?

Sim, continuam [quase] como dantes, as mais belas hist�rias de duendes e florestas encantadas e fadas e borboletas n�o se quebram desta forma. Mas agora condicionados porque ela j� n�o o conhece. E ele n�o a quer conhecer.

- Mas essa hist�ria � verdadeira?

N�o...como te disse, � apenas mais um conto de fadas...perdido no tempo...



sábado, setembro 18, 2004

Brinco contigo. Est�s sentado e assistes friamente como se n�o fosse para ti a sensualidade dos gestos, dos movimentos. Estendo-me na cama para te tocar nos l�bios e no momento m�ximo em que desejavas sentir a minha l�ngua quente na tua, fujo como uma crian�a rebelde. N�o esperavas. Nem eu de mim esta faceta er�tica e provocadora.

Mas apetece-me brincar.

Rodopio sobre os meus p�s frios, enregelados da noite de Inverno e sorrio inocentemente. Gostas. Vejo pelo teu olhar como aprecias este jogo.

Sento-me � tua frente e ro�o o meu corpo nos len��is c�lidos dos orgasmos que juntos partilhamos. Sei que me queres neste momento. Mas sofre. Tamb�m eu o fa�o, por ti, tantas vezes.

Insisto na pornografia das atitudes: no morder do l�bio at� sangrar de prazer, nos toques perversos nos meus mamilos, acaricio-me sem preconceitos e acendo-te a chama da fantasia.

Imaginas-me nua. Imagino-te meu. Queres-me para ti. N�o te pe�o para possuir, o que � nosso foge sempre. Trincas a carne madura da tua boca, como para afugentar os sentimentos. Eu lambo os meus l�bios, para te deixar ainda mais fora de ti.

Aproximo-me de ti e sussurro-te algo que nos esquecemos no segundo a seguir. Prendeste-me com esse olhar meloso e fascinante e todo o meu jogo pela �gua desceu lentamente. Ao beijares a minha boca sedenta de ti, perco o mundo ao meu redor, perco a no��o de toda a realidade e espero. E esperei pelo momento certo para te dizer que te Amava. Mas n�o chegou. Porque tu n�o chegaste tamb�m. N�o atingi a tua alma, como o meu corpo tu atingiste.

Desiguais. Vivemos de formas diferentes. E s� na cama somos parceiros. Companheiros de amor. De prazer. De liberdade fantasmag�rica de um delicioso orgasmo. N�o sei se � certo. Mas prossigo.

Levanto as minhas pernas e espero por mais um destes jogos. As minhas pernas cansadas s�o agora elevadas ao C�u, como se dessem gra�as ao Infinito por t�o bom sentimento, por t�o boa sensa��o...

E tu perdeste-te comigo no altar do Sexo...






quarta-feira, setembro 08, 2004

Ao Acaso

N�o � muito o meu costume fazer algo deste tipo, mas num passeio matinal por uns quantos blogs que me eram desconhecidos, encontrei algo que me chamou a aten��o: uma ideia genial, diria eu. O Isso Agora
sugeriu que, ao acaso, se abrisse um livro na p�gina 31 e se sublinhasse a primeira frase completa. Ora aqui est� a minha frase:

"Por natural misantropia ou demasiadas decep��es na vida desta mulher, insinuaria que a bonitez do sorriso n�o passava de uma artimanha de of�cio, afirma��o maldosa e gratuita, porque ele, o sorriso, j� tinha sido assim nos tempos n�o muito distantes em que a mulher fora menina, palavra em desuso, quando o futuro era uma carta fechada e a curiosidade de abri-la ainda estava por nascer.

Esta cita��o pertence a Jos� Saramago, foi retirada do livro Ensaio sobre a Cegueira. Sinceramente, n�o aprecio este escritor portugu�s, mas a verdade � que em conversa de caf� surgiram cr�ticas muito boas a seu respeito (particularmente a respeito deste livro) e eu n�o resisti � curiosidade.

At� agora nada tenho a apontar de errada, o senhor revela perspic�cia com as palavras e consegue levar-me algumas vezes � tontura. Rodopiar sobre o texto. � das melhores sensa��es que se pode ter enquanto se l�.

N�o vou aconselhar o livro porque ainda n�o o acabei, mas...n�o resistam � curiosidade como eu.

E ja agora, fa�am o mesmo, ao acaso, nos vossos blogs ou nos coment�rios!

sexta-feira, setembro 03, 2004

[Continua��o...]

Mas tamb�m sei que sou livre, hoje, aqui e agora. Livre para receber tudo o que a vida se dignar conceder-me, se eu for digna para o guardar. Livre para dizer que te amo sem nada esperar em troca. Livre para saudar o Sol, dan�ar � chuva, dirigir uma prece � Lua, invocar todos os meus Dem�nios. Livre para saber que a vida � um Dom e eu fui aben�oada com ele...

Penso. A liberdade surgiu-me atrav�s do olhar que naquele sil�ncio arrefeceu todo o meu corpo e despertou a verdade. Apercebi-me que sou livre de destruir tudo o que queira mas que, ao mesmo tempo, possuo em mim toda e qualquer capacidade de criar. Por isso naufrago na descoberta da cria��o e construo ao meu redor uma �urea de luz t�nue que me atraca a ti. Cheguei.

Cheguei, esperando tudo sem nada esperar, cheguei muda, cheguei rendida � for�a daquele olhar. Estendeste-me a m�o e a autenticidade desse gesto singelo voltou a unir a linha transparente que sempre nos levou a bom abrigo.

E apenas esse gesto desfez o gelo que me cortava enquanto me encontrava em ti. E apenas esse gesto destruiu a palavra, o olhar, os corpos angelicais que suam incondicionalmente por se sentirem t�o perto...

E tudo se desfez com aquele teu gesto s�...



Texto escrito no dia 30.Agosto.2004 , em conjunto com a Vi



quarta-feira, setembro 01, 2004

A noite desce paulatinamente sobre a cidade e a luz da Lua ilumina os passos que entrego �s ruas enquanto vou ao teu encontro. N�o aguardo nem desejo que me recebas com um abra�o apertado, as feridas n�o saram t�o velozmente como o tempo que sempre foge. Os segundos sem ti s�o eternos...e a eternidade sem ti n�o existe.

Eis uma daquelas noites em que as palavras se poderiam perder e n�o teria a m�nima import�ncia. Tudo o que devia ter dito e n�o disse ficou para sempre eternizado no segundo que durou aquele olhar. Frio como gelo, cortante como um punhal. O olhar que para sempre criou esta barreira m�gica que entre n�s se imp�e.

Aquele olhar vago, perdido algures nas malhas das horas que passam e n�o voltam, do rel�gio gigantesco da vida que n�o p�ra de rodar, girar fren�ticamente mas simultaneamente a uma velocidade vagarosa.

Caminho; sem pressa. Cruzo-me com faces desfiguradas, presas nas pedras da cal�ada. N�o erguem o olhar nem eu necessito que o fa�am. Apenas preciso que tu levantasses o teu rosto cru e me abarcasses a solid�o, sugando-a toda para um lugar long�quo que n�o conhe�o, nem tu. Mas n�o espero por nada de diferente do que me d�s ultimamente. De ti sei o que o teu olhar me reserva: uma facada inanimada no meu ser abandonado...

[Continua...]



Texto escrito no dia 30.Agosto.2004 , em conjunto com a Vi

quinta-feira, agosto 05, 2004

I know you think that I shouldn't still love you, or tell you that!
But if I didn't say it, well I'd still have felt it! Where's the sense in that?

I promise I'm not trying to make your life harder or return to where we were...

I will go down with this ship and I won't put my hands up and surrender
There will be no white flag above my door...I'm in love and always will be!

I know I left too much mess and destruction to come back again!
And I caused nothing but trouble, I understand if you can't talk to me again...
And if you live by the rules of "it's over" then I'm sure that that makes sense!

[Dido; White Flag]

O momento em que um cigarro cai extinto num cinzeiro transbordante de outros tantos j� apagados transporta a altura em que tu foges do meu pensamento e o vazio se transforma na realidade, sempre crua e fria.

O sonho mostra-se fixo nos dias que correm sem ti, penso no que faria se de novo me entregassem a oportunidade de me re-apaixonar por ti ou por outro algu�m [porque "haver� outro algu�m que me ame e trate bem..."].

Os risos e abra�os que o bendito amor nos oferece e a dor e desilus�o que depois ser�o consequ�ncias fatais de um fim abrupto e sem sentido, deixam-me confusa...ser� que de novo quero sentir paix�o e desejo por algu�m?

O amor � pat�tico...

Mas torna-se necess�rio num mundo que cada vez mais se mostra deprimente e cinzento...numa vida madrastra comp�e-se uma melodia de acordes supranos que nos alegra e nos faz pintar este maldito mundo numa plan�cie verde, solta, plana, na qual passeamos os nossos corpos nus entregues ao sabor do vento...

De qualquer das formas permane�o confusa e sem vontade de ao espelho ver apenas mais uma pat�tica...

Desculpa, mas n�o me apaixonarei...

A little late for all the things you didn't say,I'm not sad for you!
But I'm sad for all the time I had to waste 'cause I learned the truth...
Your heart is in a place I no longer wanna be, I knew there'd come a day
I'd set you free! 'Cause I'm sick and tired of always being sick and tired!

Your love isn't fair, You live in a world where you didn't listen !
And you didn't care...so I'm floating, floating on air...

No warning of such a sad song of broken hearts
My dreams of fairy tales and fantasy were torn apart!
I lost my peace of mind somewhere along the way ...
I knew there's come a time you'd hear me say
I'm sick and tired of always being sick and tired"

[Anastacia; Sick and Tired]

quinta-feira, julho 29, 2004

F�rias
 
Alegria...Busca...Concentra��o...Descanso...Entrega...For�a...Gargalhadas...Hesita��o...

Imperial...Jogos...Kremlin...Liberdade...Maldade...Novidade...Orgulho...Pluralidade...
 
Quimera..Revolta...Sorrisos...Tempestade...Uni�o...Ver�o...Zombaria.

� isto que procuro, � isto que quero deste tempo de hiberna��o no qual vou entrar! Quero isolar-me mas conviver, encontrar-me a mim e os outros em mim, redescobrir a vida vivendo cada minuto na sua maior plenitude. Sigo govinda* na minha maior imensid�o, partindo de f�rias mas levando a saudade como �nica bagagem.

Um grande At� j�...
 
*Govinda = palavra indiana que simboliza um caminho de felicidade e plenitude. (acertaste em cheio...)

sábado, julho 24, 2004

Amigo...

A busca de n�s pr�prios obriga a uma luta constante que vinca as rugas de cansa�o na face de cada um...procuro-me agora por entre a neblina que depositaram na minha vida t�o clara e l�mpida, mas n�o vou desistir enquanto n�o me redescobrir inteira, �nica, simplesmente complexada. 

Quero reencontrar-me com quem fui e com quem eu sei que sou mas que, por diversas e in�meras circunst�ncias, o eu presente aprisionou o outro eu que antes me preenchia e reflectia um sorriso nos outros.

Quero-te ver a sorrir ao meu lado, n�o porque de mim gostas, mas porque te preencho, porque te trago alegria ao presente maltratado. A vida n�o � beijo, n�o � sexo, nem muito menos amor...vida � simplesmente viver...vem viver comigo, ent�o! Vem lutar por ti, em mim...vem e deixa-me ir em meu aux�lio, para assim te poder abra�ar e pegar ao colo em todos aqueles momentos em que te apetece chorar...

Continua apenas a ser O meu melhor amigo...abra�a-me... 

segunda-feira, julho 19, 2004

As batidas entram no meu ouvido como facadas de um material de a�o, que me ferram, me queimam, me deixam sem f�lego...

O cora��o de pulsa��o acelerada provoca no meu corpo sensa��es e atitudes estranhas, as quais n�o controlo...mas deixo que elas existem, pois s�o sinal de liberdade [que tanto ambicionamos e que tanto nos falta...as pris�es, essas malditas...]...olho para o lado e a face das pessoas aparece desfigurada, desenquadrada, variada...n�o faz mal [todos diferentes mas todos iguais!], gosto da desigualdade de padr�es...

Fecho os olhos e ergo a cabe�a, entregando-me �quele beat t�o forte, que penetra no meu Ser como um esp�rito maligno que deixa a sua semente dentro do meu c�rebro e me condiciona a ac��o...bendita "cave", bendito grupo que para l� me arrastou, vida malvada nos separou, desintegrou e deu oportunidade a outros de se juntarem...outros diferentes, outros desiguais...mas n�o faz mal...(nunca faz mal...).

Entrego-me por completo e ignoro os olhares penetrantes de quem me vigia, deixo-me naufragar no sabor da m�sica que entra agora pelos ouvidos de todos o que est�o ali na "cave". Liberto o meu corpo, deixo-o suar como nunca, balan�o-me para a esquerda e para a direita, toco com a m�o no ch�o...rodopio...sou feliz...todos dan�am...todos est�o na boa...os corpos tocam-se sensualmente sem ningu�m reparar...o contacto f�sico na "cave"...os olhares, os toques...o sexo garantido depois de uma noite bem dan�ada... [cada um faz o que entende!]

Salto para a coluna, deixo que o esp�rito me saia pelos poros, sei que capto alguns olhares extasiados mas n�o me importo, vou comigo nesta viagem virtual que me vai levar ao orgasmo mental...rebenta a escala e o pessoal grita, eu grito...a "cave"... [miscel�nea de sentimentos sempre que vou ao Kremlin]




quinta-feira, julho 15, 2004

Procuro mais da sede de viver do que propriamente beber s� de ti. Por tal, hoje, quando acordei, simplesmente sorri. Porque sorrir invoca paz, encontro connosco pr�prios, com a infantilidade que diariamente temos que esconder nas rela��es estabelecidas com o mundo. Porque ao sorrir eu entreguei ao mundo a oportunidade de me conhecer como pureza e ess�ncia, e n�o como mistura e resultados de experi�ncias vividas, passadas.

Sorri. E fez me t�o bem sorrir novamente.

Sai de casa ao encontro de pequenas coisas que h� muito eu perdi de vista. Reparei no sol a nascer, as pessoas apressadas sa�am de casa atrasadas para algum contrato que lhes comprometia a vida. Como as coisas que possu�mos nos acabam por possuir [n�o �?...]. Sentei-me sobre minha M�e Natureza e observei cada movimento com calma e paci�ncia. Renovei as minhas energias em contacto com a minha parte mais genu�na e n�o senti medo de me perder, n�o tive medo de naufragar na minha espiritualidade e cedi � naturalidade dos acontecimentos...e...desapareceste da minha mente, do meu cora��o e os meus sentimentos rodearam-se de uma �urea de luz violeta e senti que estava curada de todos os males que afrontavam o meu ser e n�o me deixavam viver na simplicidade da exist�ncia...e...

Caminhei para casa sem vergonha de sorrir e falar sozinha, a condena��o alheia n�o mais me aflige a partir de agora...voltei a ser Eu, apaixonada pelos meus ideais e pela minha Paz Espiritual, a desenhar o trilho que dantes eu deixei que me tra�assem...voltei a ser feliz e plena de pacifica��o!

E tudo porque sorri.


segunda-feira, julho 12, 2004

Atr�s de ti!

Sigo as tuas pegadas na areia, para n�o dares conta de mim visto-me de transpar�ncia e vagueio pela praia semi-nua, sentindo a brisa do mar implorando para me tocar no corpo, arrepiar-me a pele levar-me � loucura com um simples e mero vest�gio...deixo-me seguir por ti, sei para onde te levas, n�o sei para onde vou contigo! N�o olhas para tr�s, n�o tenho receio que me vejas! N�o � tua caracter�stica retornar ao passado, por isso prossegues a caminhada, e eu sempre ao p� de ti, sem tu notares sequer que a� estou!

As rochas, o vento, a mar�, as gaivotas fren�ticas procurando alimento, ternura, sobreviv�ncia...altivo, imp�es-te em cima de uma pedra e abres os bra�os para sentires com toda a for�a o poder do mar, o poder do vento, o poder de seres homem e ningu�m te poder derrubar. Que vontade tenho de chegar at� ti, te abra�ar e te levar para longe, para te amar...mas n�o, fico c� em baixo, olhando-te de esguelha como quem n�o quer a coisa, porque afinal n�o precisas de mim e eu se analisar bem as minhas for�as tamb�m n�o me fazes falta...

Deixas para tr�s mais outro momento de plenitude que, pela tua ignor�ncia, n�o aproveitas na sua totalidade e continuas a caminhar...nunca reparas em mim, mas eu n�o me importo, porque basta para mim eu reparar em ti, por isso caminho sempre na tua sombra, para que nunca olhes para o lado negro da tua vida, para que nunca te sintas triste por alguma coisa...nunca choraste verdadeiramente � minha frente...nem eu nunca chorarei � tua! Aquelas l�grimas que de alguma forma derramamos um dia foram apenas o reflexo do medo de ficarmos sozinhos...pois j� n�o tenho medo...



Irei sempre te seguir, acompanhar as tuas pegadas...estarei sempre atr�s de ti j� que n�o me queres a teu lado...

...quando tiveres coragem, olha para tr�s...

sexta-feira, julho 09, 2004

Nega��o!

N�o me olhes nos olhos, n�o quero sentir que sou pequena...n�o feches a porta, n�o me abandones, faz com que eu n�o pense. Quero ser fria. N�o te rias, deixas-me nervosa e envergonhada. Nem te mexas, fica asssim para te tirar uma fotografia mental e guard�-la com mais carinho que alguma vez eu sentirei por ti.

Deixa-te estar assim, quieto, n�o fales pois n�o vale a pena, o sil�ncio nao incomoda mais...N�o, n�o me voltes a olhar, j� disse que n�o o quero. Respeita-me e aprende a ver-me como algu�m que te faz falta, como algu�m que foi mas que ainda � na tua vida. V�-me como uma borboleta j� feita mulher e n�o uma simples larva ainda por crescer e aprender.

O soco que me deste avivou em mim sentimentos h� tanto tempo escondidos e perdidos. Sim, podes vir ter comigo agora, mas n�o olhes nem fales, incomoda-me o teu olhar e a tua voz. Transcende-me o Ser. N�o quero mais ter-te aqui comigo e ver que somos um s�, quero-te distante do meu pensamento, quero te ver partir e sentir-me feliz por isso.



P�ra, escuta o som que o meu cora��o canta para ti. N�o percebes que pertencemos um ao outro...sim, estou outra vez fora de mim, pe�o perd�o. N�o quero mais sentir-me assim: rebaixada perante a tua gigantesca presen�a.

N�o te quero pedir desculpa, n�o sinto que o deva fazer. Anda, caminha em minha direc��o mas n�o te aproximes em demasia porque me deixas descontrolada, salto para ti e n�o mais me apanhas. N�o repares em mim quando estou contigo mas sente a minha falta quando est�s sozinho. N�o elogies as minhas cal�as, v� antes o meu corpo, mas n�o te limites a venerar a minha pele, encontra a minha esss�ncia, o que trago debaixo da roupa, o que transporto dentro de mim.

N�o, n�o estou gr�vida mas podia estar e neste momento n�o me importava. Queres ter um filho? Ah, meu n�o. N�o faz mal, n�o fales. N�o quero saber! Tens outra? Tal como no meu sonho. Ent�o chega. Deixa-me voltar a dormir e sonhar, porque enquanto sonho n�o encaro a realidade e sempre te posso venerar como ainda sendo meu...

terça-feira, julho 06, 2004

Lembra-te algo?...

�E eu fui, com ele. N�o foram onze minutos, mas uma eternidade, era como se os dois sa�ssemos do corpo e caminh�ssemos, em profunda alegria, compreens�o e amizade, pelos jardins do para�so. Eu era mulher e homem, ele era homem e mulher. N�o sei quanto tempo durou, mas tudo parecia estar em sil�ncio, em ora��o, como se o Universo e a vida deixassem de existir e se transformassem em algo sagrado, sem nome, sem tempo. (...) Abra��mo-nos como se fosse a primeira vez que tiv�ssemos feito amor nas nossas vidas.
(...)
Em seguida abriu um livro e leu:
"Tempo para nascer e tempo para morrer.
Tempo para plantar e tempo para arrancar a planta.
Tempo para matar e tempo para curar.
Tempo para destruir e tempo para construir.
Tempo para chorar e tempo para rir.
Tempo para gemer e tempo para bailar.
Tempo para atirar pedras e tempo para recolher pedras.
Tempo para abra�ar e tempo para se separar.
Tempo para ganhar e tempo para perder.
Tempo para guardar e tempo para deitar fora.
Tempo para rasgar e tempo para coser.
Tempo para calar e tempo para falar.
Tempo para amar e tempo para odiar.
Tempo para guerra e tempo para paz."


Aquilo soava como uma despedida. mas era a mais linda de todas as que eu podia experimentar na minha vida.�
Paulo Coelho em Onze Minutos



Ao som de Paul van Dyk ("Time of our lifes...") pergunto-me se te lembras de algo hoje...

segunda-feira, julho 05, 2004

O remexer do Ba�

Um misto de sentimentos que surgiram porque novamente senti o passado remexer com o presente e aquele piscar de olhos, e aqueles bra�os apertando-me contra o corpo que venerei um dia l� atr�s! este Fantasma fez me esquecer por momentos a dor que sinto em ter perdido a "chave da felicidade" e a ingenuidade de cada gesto e de cada olhar que trocamos reportou me para um ano atr�s quando me sentia fr�gil perante a gigantesca presen�a dele...e senti me t�o pequena quando ele me perseguiu com o olhar e quando, ao fixarmos os olhos um no outro ele sorriu com cumplicidade! sei que apenas mais uma fui na vida dele, mas ontem fui eu, Andreia, perante ele, Fantasma...e senti me bem com o facto de ficar nervosa e de estremecer quando ele passava por mim e de me sentir observada, olhada e quem sabe desejada...porque depois de um m�s (fez ontem...) eu voltei a sentir me viva...porque � preciso penar para aprender a viver, e a vida n�o � existir sem mais nada, a vida n�o � dia sim dia n�o, � feita de cada entrega alucinada, para receber daquilo que aumenta o cora��o!, j� dizia Mafalda Veiga! e eu assino por baixo....

sexta-feira, julho 02, 2004

�s vezes � preciso escolher. Decidir. Optar.

Estou em frente da tua casa, n�o sei se hei-de tocar e falar contigo, dar te um abra�o e dizer: "Apesar de tudo ainda te Amo..." ou se hei-de ficar aqui, quieta, vendo vultos vagueando pela casa, sem coragem e impotente, imaginando como seria se desse o passo fatal.

N�o sei se hei-de arriscar receber um "N�o" que destruir� este "Sim" ilus�rio que, mesmo n�o existindo, me d� esperan�a para viver, para manter os meus olhos abertos, � procura de uma nova Luz. N�o sei at� que ponto ver a tua face, o teu sorriso, o teu olhar vai ser bom ou vai deixar a minha alma ainda mais esfarrapada do que j� est�.

� preciso fechar os olhos e ouvir o cora��o. Sentar e meditar. Escutar a voz de Deus com aten��o, sem medo, sem dubiedade...a vida � feita de cada entrega e paix�o, de cada escolha acertada ou mesmo errada, a vida � feita de coragem.

Afasto-me da tua casa...do meu sonho, do meu mundo, da minha liberdade e plenitude.

Sim...porque, �s vezes, continua a ser necess�rio escolher. Decidir. Optar.


segunda-feira, junho 28, 2004

Cor!
A cidade mergulha neste asfalto de perigo, a chuva come�a a cair, as pessoas a correr...E eu, parada, presencio a tudo com cautela, medita��o, calma, al�vio, respeito e contempla��o! Pois preciso de sentir a chuva tocar-me sensualmente na pele, sussurrando-me que ainda vivo, que ainda sou Pessoa, que ainda tenho uma ess�ncia para entregar ao meu pr�ximo...

Sou a �nica que permanece seduzida pela cal�ada j� enxuta por tanta gota de �gua que os C�us derramam...sou a �nica que n�o corre nem anda, que n�o se mexe, que n�o reage...

Apesar de cinzento, vejo o dia, as pessoas, a cidade...colorida! Porque hoje eu vejo cores! Porque hoje eu sou cor!


sexta-feira, junho 25, 2004

Sozinha

Por muito que me tente abrigar por detr�s desta m�o cheia de m�scaras, na minha ess�ncia procuro ainda uma resposta para a exist�ncia de tanta dor...
Ap�s teres fechado a porta e de eu ter rodado duas vezes a chave na fechadura, esperando n�o mais voltares porque, como n�o o irias fazer eu n�o o teria que imaginar, a dor apossou-se do meu corpo e o sil�ncio instalou-se nesta casa onde, antigamente, a tua voz ressoava e os meus risos pintavam as paredes de milhares de cores...Agora resta-me o sil�ncio, as paredes cinzentas pedindo risos, os ecos que j� n�o existem, a vida que morreu...Quero abrir de novo a porta mas d�i ficar � tua espera eternamente na entrada, por baixo da ombreira castanha...sei que n�o voltas, que n�o mais queres entrar...ent�o para qu� esperar por quem nunca chega?...� prefer�vel viver na esperan�a e no engano, ou realmente encarar e amadurecer com a realidade?
Tento aprender a viver com esta aus�ncia e solid�o, tenho tanta e t�o pouca gente ao meu redor, gente j� mo�da com esta hist�ria, j� cansada de acarretar com o peso de n�o saber mais o que dizer..pois n�o digam, n�o quero ouvir...deixem-me contemplar este sil�ncio ensurdecedor, deixem-me viver com esta solid�o, deixem-me mergulhar nesta tristeza...j� n�o tenho risos nem pinc�is para colorir a minha vida, j� n�o tenho nada para ofertar ao meu pr�ximo! j� n�o sou quem conheci...



Sou apenas um mero po�o de l�grimas...

terça-feira, junho 22, 2004

Inspiro os �ltimos instantes da tua presen�a neste quarto escuro, gosto de te sentir a desamparar-me, libertando-me do desejo de para sempre te amar! Tenho pressa de chegar a um futuro que n�o queres pintar comigo, mas que eu insisto em imagina-lo todas as vezes que deleito o meu corpo nos len��is onde uma noite tu me amaste e escreveste o nosso nome com gotas de suor...

Afastaste sem sequer te aperceberes que � a ultima vez que me v�s, a oportunidade derradeira para dizer que me amas, esta tua ida seria a tua ultima chegada at� mim...

Ainda olhas, sinto que pressentes a tens�o no ar, o nervosismo pairar sobre n�s, sobre esta despedida desconexa de toda uma vida que constru�mos...o porqu� de te deixar?

Para n�o mais te sentir a abandonar-me...



Antes de partires definitivamente, escuta o vento e abra�a o sol, cada raio � uma vida, cada singular gota de orvalho com que te cruzas de manh� � uma gota que a minha alma chorou por N�s, e cada sorriso de crian�a que vejas, acredita, representa todos os momentos onde te fiz feliz...e muitas vezes n�o o fui!

Agora sim, posso deixar-te...Agora sim, podes ir...fecha a porta devagar, n�o queiras acordar os vizinhos...

Durmo...

terça-feira, junho 15, 2004

Vale a pena?...

Vale a pena fingir, continuar a encenar?



Digam-me, por favor, se vale a pena ser quem n�o sou, camuflar os meus sentimentos, fingir e iludir-me que est� tudo bem quando eu sei que n�o est�...
Vale a pena continuar nesta ilus�o e nesta esperan�a que tudo vai correr pelo melhor, que Deus s� quer o melhor para mim e que eu sou forte?
Vale a pena continuar a viver com a determina��o e seguran�a que sempre tive, mesmo sabendo que estas j� desapareceram?
Vale a pena?...

Voltarei quando conseguir escrever sobre algo diferente e menos deprimente...
Sim, parto, mas partirei com a promessa de voltar em breve!

Um beijo e um Muito Obrigado a todos os que acompanham o blog...