domingo, junho 04, 2006
E se não te comer, hoje?
A barriga geme, desvairada. Gostava de ter a porção mágica para fazer desaparecer esta vontade de comer.
Esta fome. Doida fome.
Fome de te levar à boca e de te mastigar lentamente, sentir-te roçar os dentes, obrigando-me a fazer força para te trincar. E depois, engolir-te. Por inteiro. De uma só vez.
Esta fome, ai esta fome.
E quando chegas lá a baixo, fazes splash e dissolves-te. Tão rapidamente que de novo me encho de fome.
Fome e mais fome. Fome viciante.
Porque afinal não me preenches, porque afinal não me aconchegas o estômago. És apenas um entretenimento ao meu comer. E o meu engordar. Estou gorda de ti. Porque, apesar de te dissipares, vais te espalhando por zonas do meu corpo não tão visíveis como isso. Peso-me de partículas tuas. E odeio-me por ainda estares dentro de mim. A fazer peso. A fazer a diferença. E se não te comer, hoje? Tenho fome, mas não te quero comer.
Hoje nego-te. Negando-me a mim...
terça-feira, março 28, 2006
Quando me esquecer que existo para ser o ar que tu respiras, é porque me estarão a enterrar na melodia do canário amarelo...
Todas as noites ele tem o mesmo ritual: alcança uma caneta, arranca uma folha de um caderno velho e tenta desenhar-lhe a face, o rosto imaculado. Lembra-se dele perfeitamente, deitado sobre a almofada quente; os olhos cerrados iluminavam sonhos nunca antes vividos nem imaginados, a boca semi aberta proferia monossílabos a um ritmo acelerado.
E ele lembra-se do seu cheiro a dormir, da sua respiração ofegante quando sonhava, lembra-se do que murmurava a meio da noite. Lembra-se do seu rosto que tenta desenhar agora, tantos anos depois de se deixarem.
Não era suposto que ele tivesse esquecido o seu passado? e será que se esquece de verdade? ou apenas se ultrapassa?
Isto foi o que ele fez. Ultrapassou. Ela, contudo, permaneceu sempre lá, alimentando-se da migalha distraída que ele ia dando. E agora que ela deixou de respirar perto dele, e longe dele também, ele tenta desenhá-la para a eternizar.
Sem efeito.
A sua beleza era demais para se transpor para uma folha. A beleza do seu amor por ele, que ele nunca manteve.
Depois de tudo, acompanhado pela melodia do canário do vizinho, ele tenta enterrar o desenho para esquecer que precisa de a respirar.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
I + II
http://www.fotolog.com/drecas
...em simultâneo, o I e o II.
Obrigado. E até já.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Fechar as cortinas...
E o céu está azul carregado, nenhuma nuvem para destoar; e as crianças brincam no passeio, andam de bicicleta, atiram uma bola, tudo sob o olhar atento das mães. E os cães, e gatos, e os outros bicharocos, junto às árvores, divertem-se com o seu modo peculiar de comunicar.
E eu, à janela, observo tudo isto e muito mais; mas sempre no compasso da espera...
Porém, hoje, fez chuva e as crianças fugiram para o quente de casa, as mães prepararam-lhes um leite morno, os animais de rua abrigaram-se por debaixo dos parapeitos. Eu fechei as cortinas, deitei-me na cama e não mais precisei de esperar. Pois percebi que nem com a chuva nem com o sol, tu alguma vez virias do céu.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Frio.
Aproxima-se da entrada repleta de fotografos que querem um primeiro plano da sua cara, do seu olhar, da sua expressão. Através do flash das máquinas desejam roubar-lhe a alma e vende-la por uns meios malditos tostões. Mas, no fundo, ela nem se importa. Sim, vende-me a alma e o corpo, reza baixinho, e deixa-me um quanto da pechincha que fizeres...
Ela tem que seguir em frente, avançar pelo meio deles, no meio dos seguranças, baixando o olhar mas olhando pelo canto do olho. E quando entrar naquela casa, ela sabe que lá dentro fará quente; lá dentro será morno; melhor do que cá fora...
De olhos semi-cerrados irrompe decidida. E quando abre os olhos, percebe que está ainda mais frio do que antes. Á sua volta escuro e gelo, os cartões de certo que haviam caído para o lado. E logo outro veio tirá-los para se abrigar. Agora resta-lhe virar-se de lado, aconchegar-se à sua própria pele e esperar que venha de novo o sono, que lhe traga o sonho de ser uma princesa num lugar quente.
E faz zero graus. E até neva. E ela nem um agasalho tem...
quarta-feira, janeiro 18, 2006
A última vez que foi vista já faz uns bons séculos. Vestia-se de cores alegres e enchia-se de sorrisos. Todos eram felizes na sua presença.
Alguns ainda acreditam que poderá voltar e muitos têm fé no dia 22 de Janeiro.
Se é um daqueles que não sabe se acredita ou não, vá votar no Domingo. Se é daqueles que acredita, vote bem. Se não acredita, não seja rezingão e vá às urnas! O voto é um Dever! Votar bem é uma obrigação!
PS.: BE...
quarta-feira, novembro 23, 2005
Toma, é para ti...
Ai, que ele caminha tão lentamente, contando os passos até mim: não quer nem que sejam menos nem que sejam mais que vinte e cinco! Tanto perfeccionismo, tanta minuciosidade...torna-se não só exagerado como também desegradável.
O seu perfume espalha-se pela sala, o mesmo perfume, vinte e cinco anos deste perfume...e não só: do mesmo estilo, do mesmo olhar, do mesmo gesto, do mesmo carinho...vinte e cinco rosas, vinte e cinco passos, vinte e cinco anos! por vezes acredito que este número está enfeitiçado, de alguma forma amaldiçoado! Eu, que tinha um mundo a descobrir; este, que prometia ser meu! E entreguei vinte e cinco anos da minha vida à comodidade e segurança de uma relação sólida!
Rebeldia, onde estiveste no momento de dizer "não"?
Chegou perto de mim, depois de um caminhar vagaroso. Beijou-me levemente os lábios, estendeu os braços e disse, simplesmente: "toma, é para ti...". e deu-me aquele ramo pardo de flores; discretamente, levo a mão à mala, tiro um molho de papéis e, desenhando o fim, retribuo: "toma, é para ti...".
E ele, sem regatear, assina, ao fim de vinte e cinco anos, o papel do divórcio.
quarta-feira, novembro 02, 2005
Trocas
Aconchegando-se na beira da cadeira de metal, cruzando as pernas, arqueando o peito, pede um café em tom fino e coloca os seus óculos de traço elegante. Tira o livro, tira a caneta, tira o bloco de notas e ordena tudo, obsessivamente. Espera o café, aquele café de sabor amargo e queimado mas suficientemente doce para lhe aquecer a alma.
Põe a caneta na boca, olha para a rua, roí as unhas, leva as mãos ao cabelo, penteando-se como dançarina de Valsa e, voltando-se para mim, pela primeira vez, cordialmente, trocamos os olhares. Ela sabe que a descubro entre linhas e escreve sobre isso, já findando o seu café. E eu sei que ela rabisca o quanto adora que eu a espreite, que a vigie tal guarda-nocturno.
Reconheço-a da televisão, a sua voz ao pedir o café não me era estranha, ouvira-a algures nas frequências da rádio. Sei que ela é conhecida e a fama atrai-me E ela sabe que eu sou da plebe, que no anonimato me mantenho, mero desconhecido das revistas e jornais. E isso, sim, isso também a atrai.
Porque ela deseja-me inteiramente e, eu, desejo-a verdadeiramente. Ai, se trocássemos de vidas, aprenderia a cruzar as pernas daquela forma, a pedir o café naquela voz, a roer a caneta sensualmente, perdendo o olhar pela estrada rural e, mais que tudo, aprenderia a escrever sobre alguém que me olha. E ela, revelar-se-ia num cigarro mal aceso e num jornal desportivo, nas calças largas e foleiras, no cabelo grisalho e despenteado de alguém que usa um palavreado inútil e brejeiro. Eu, homem das cavernas e ela mulher de passerelle.
Porque não fomos feitos um para o outro, mas para nos trocarmos um pelo outro.
terça-feira, outubro 11, 2005
Glacial e Serena...
Já as minhas pernas, soltas, evadem-se de tamanha ousadia: ora, tanto calor, sol e praia, seca e castanhos e laranjas, ora o cinzento, preto, talvez violeta na procura do arco-íris...Que ousadia da chuva reservar algum espaço nas minhas pernas! Então, estas refundem-se, envergonhadas, na saia comprida, rastejante. Todo o meu corpo segue o exemplo, embrulhando-se com os retalhos que existem; apenas a cara se mostra, se insinua...e se deixa molhar.
Como sabe bem esta chuva glacial e serena escorregar, tal conta gotas, pelo meu rosto pálido e gelado. Desmanchando a maquilhagem, a máscara frutífera da hipocrisia, despertando os sentidos, os cinco ou, quiçá, os seis, encharcando a pele ressequida do tempo árido...tanto...tão pouco!
Raios!!! Que saudade tinha eu da chuva…

P.S.: Ao meu querido Hugo, tão fiel e critico leitor...obrigado!
terça-feira, setembro 20, 2005
'Cause When the Sun Goes Down...
O sol já está para além e o meu bilhete para a viagem imaginária chega ao fim. Apago-o e volto para dentro do mundo, diferente mas sempre a mesma, apenas com mais um pouco de beleza que nem qualquer pessoa tem capacidade de sentir.
Blasted Mechanism - Sun Goes Down....
sábado, agosto 27, 2005
Dissipação...
Ninguém vê? Me vê? Sou toda amor que cai em desperdício por falta de entrega...
domingo, agosto 21, 2005
Pr'a onde vai você quando a noite cai?...
Encontras-te com as pessoas que mais amas e que já partiram um dia no comboio para a outra Vida. Sorris e contas como se passou, o que sentiste; tens grande necessidade de partilhar com Eles o que a nós não podes dizer. E dizes que estás bem, feliz, em paz, que o que te preocupa somos nós, a nossa tristeza térrea, de cor de barro, baça como um vidro de um carro em noites friorentas. Preocupa-te o nosso olhar baldio, a nossa cor fuscia, o nosso pensamento perdido. Mas que sabes que, dia menos dia, nós compreenderemos a tua partida e a aceitaremos com calma e serenidade, admitindo, fora de egoísmos, que assim fora melhor.

É assim que te afiguro depois de morta, feliz e sem dor, sem tristeza, desespero, sem suplicar uma última ajuda [como fizeste antes de entrares no elevador...sabias tu bem que seria a tua última tentativa de sobrevivência...].
Deus está contigo e te encaminhará para uma nova missão, minha prima; porque a tua aqui, na Terra, desta vez, foi cumprida: passaste uma mensagem de força, luta, coragem, persistência, bondade e amor! E eu recebi-a com plenitude...eu e tantos outros que te rodearam e que nunca abandonaste. Durante quatro anos tentaste vencer um cancro que te foi matando aos poucos, espalhando-se e alojando-se em quase todos os teus órgãos...este maldito bicho papão pode ter vencido a batalha, minha querida, levando-te para fora deste espaço terreno, mas não venceu a guerra! Quem a venceu foste tu, com as tuas lições e com o que deste a nós que cá ficamos.
Muito obrigado por teres feito parte da minha infância, adolescência e recentemente da minha vida adulta e madura. Obrigado pelos abraços nos aniversários, pelos sorrisos no Natal, pelos ovos da Páscoa, pelos embrulhos recheados de surpresas, pelas gargalhadas e pelos beliscões, pelos desabafos e choros, alegrias e tristezas...obrigado por me teres deixado aprender contigo.
Vive em Paz, agora, que bem mereces, Quina...Um beijo de eterna saudade, de eterno agradecimento, de eterno amor...
Um grande Até Já….
quinta-feira, julho 21, 2005
Ficção!
Nem é necessário ser bonito e elegante, extrovertido e inteligente. Nem sequer preciso de me apaixonar por ele, amá-lo loucamente, casar e ter filhos.
Só preciso dele, como homem.
Preciso que me dê atenção, me massage as pernas cansadas e me faça "cafunhé" na cabeça até adormecer. E depois, quando acordar, que me beije e me traga um pequeno-almoço reforçado, que me prepapare a banheira para trinta minutos de esquecimento e que me ofereça uma peça de roupa nova.
Não quero que me oiça atentamente, que me compreenda, me aconselhe.
Preciso que seja como um saco de boxe, para poder descarregar nele, sem remorsos, toda a raiva energizante.
E não me acusem de violência doméstica e, já agora, quem o fizer, que atire a primeira pedra como nunca teve vontade de aliviar a pressão. [pois, bem me pareceu...]
Ele não tem de ser doutorado, não precisa sequer de saber ler ou escrever; basta dar-me o seu instinto animal e fico feliz...
Mas a quem tento eu enganar?
Eu preciso é de uma Mulher!
segunda-feira, julho 11, 2005
Beijos
Suspiro para evitar a solidão e oiço os teus passos remotos, passando pela sala desguarnecida. O tiquetaque do teu andar ecoa nas paredes nuas e obriga-me a mendigar um beijo teu que me faça esquecer todos os outros que já dei...
Neste cenário de perigo, o espelho é apenas a única barreira entre a minha boca e os teus lábios. Escondemo-nos entre as paredes, criando o suspense do primeiro passo. Eu ou tu. E avançamos juntos, caindo sobre ambos os braços num beijo desequilibrado mas familiar. Não era a primeira vez que te beijava ou que me davam um beijo destes.
E nesse momento apercebi-me que és sempre tu que conquistas a minha fantasia e constróis o meu idílio. Todos os beijos que me dás anulam os anteriores, mas lembram-me que são todos idênticos. Porque, mesmo que o amor eterno se esqueça, permanecerão os beijos que me dás nos meus sonhos.
sábado, junho 25, 2005
Cinco Minutos - Tempo de um Cigarro
Espero para ver a Lua e, fumando um cigarro, adormecer a pensar em ti. Antes, sorvo um pouco de café e divago. Sobre o que eu era e o que sou, analiso as diferenças, encontro as semelhanças.
Tenho o tempo de um cigarro para dizer que ainda te amo; eternos cinco minutos; e espero até que a última cinza se perca no ar para suspirar e prender dentro de mim o grito que sinto por ti.
Reprimir será a melhor forma de avançar. Mais tarde, talvez, sinta os efeitos. Mas até lá, esqueço que existimos.
quinta-feira, junho 16, 2005
Exposta!
Entrego. Não entrego. Só estou eu e a minha sombra inibida neste côagulo de transparência. Tremo e suo. Entrego ou não entrego. Opto por mais uns segundos presa na prova e esperando alguma luz que brilhe no meu cérebro.
Tacteio a mesa, divirto-me com a ponta afinada da esferográfica, e observo a folha branca como a minha mente: bloqueada. Perco-me no sempre da desconcentração.
E quando dou por mim... um, dois e três levantam-se sorridentes para entregar a prova. Agarro na minha, ergo-me também, sem alguma espressão no rosto. Não mostro emoção. Apetece-me gritar mais alto que nunca mas prendo o grito num nó apertado, contenho a bomba que sou eu, prestes a atingir explosão.
Assino a folha de presença e pego nas minhas coisas. Os pés carregados embalam-me para o lado de lá desta fantasia. Pela terceira vez, falho. Não tem valor o meu empenho. Desiludo-me e desiludo os outros. Cravo em mim, a ferro e fogo, o pensamento que não sou capaz. Não o sou...mesmo...
E assim me sinto exposta, a todo e qualquer estímulo. Como se me arrancassem a roupa...e ficasse desarmada.
segunda-feira, maio 16, 2005
Gravidez

Volta e meia, imagino-me. Nua, deitada no escuro. Deleitando-me com o prazer de senti-lo dentro de mim, rebolando lentamente, socorrendo-se das migalhas minhas que desprezo. Imagino-me sonhando com o dia de renascer, com a beleza de lhe tocar, de o abraçar. De saber que veio de mim, meu semelhante e minha criação [e tua]. Numa noite em que os lençois não abarcaram o calor dos nossos corpos e, fundidos um no outro, aquecemos a terra com mais uma alma especial.
Hoje, pensei nisto. Acordei com a sensação de estar grávida. Pronta a dar à Luz. Andei o dia inteiro a pensar na sensação, revivendo os momentos de sentir a barriga a crescer. Várias vezes levei a mão ao toque sensível e as lágrimas surgiram no próprio instante.
"Há espera de sentir o mar..."
quarta-feira, maio 11, 2005
Na morte...

É um canto. Um rectângulo. Melhor, um espaço minúsculo, tão minúsculo que estou dobrada sobre mim própria. E sim, é um canto ou um rectângulo onde, por dentro do som daquela flauta transversal que toca na rádio, eu abafo as minhas lágrimas. Ou lâminas. Tanto faz. Ambas cortam. Corto-me. O sangue jorra como fonte de borboletas livres. E sou feliz. Sem ti. Não vês? Eu, no canto, a ser feliz.
E entras no jogo maquiavélico que belzebu preparou para nós na ceia do amor. Não entres...eu não saio daqui.
A tua fotografia espera-me todos os dias, deitada ao lado da minha almofada. Está dobrada., malfadada de tanta promessa que deflagrou sobre ela. Tanto choro e dor. Tanto desespero.
Quantas vezes, meu amor, quantas vezes eu me encostei nela e senti o teu cheiro, beijei a tua boca, arrepiei-me com as tuas mãos…quantas vezes...
E agora, estou aqui. À beira da morte. A escrever para ti o que nunca te disse. Que fui feliz. Que sou feliz. Mesmo que não estejas comigo, ver-te feliz sempre mo fez também.
Um último suspiro. De saudade, de tristeza, de recordação pelo que fomos e pelo que fui. Um último sorriso. De agradecimento, de paixão, de loucura. Um último...naufrágio em ti.
sexta-feira, maio 06, 2005
Caminho
Enquanto vou, desejo que numa noite destas, enquanto escurece, algo de diferente ocorra enquanto percorro este trapézio vertiginoso. Algo irreverente.
Não procuro, mas quero.
Talvez seja altura de obrigar as oportunidades, arrancar esta mordaça que me cala, que me transforma em cinza. Pedir para o longe chegar hoje, dentro de mim. Abrir janelas de um palácio à muito adormecido e perseguir o fundo, naufragar no eterno.
No eterno dilema da diferença....do caminho...
quinta-feira, abril 28, 2005

Sufoco. A cada palavra tua não dita. A cada sorriso teu afastado. A cada gesto teu escondido.
Morro. Matas-me ou Mato-me. Talvez te Mate, pior ainda, talvez nos Mate.
Sufoco, na verdade, perco o ar. A cada memória extraviada no tempo. A cada música que recordo. A cada texto composto pelas estrelas.
Sinto-me mais que amarrada, numa teia de aranha que me prende as pernas e os braços e não me deixa naufragar no dia, na noite, nas horas...em mim!
E espero, já sem fôlego, que venha a Luz e que ela, eroticamente, me desenlace destas cordas de fumo e me deixe sentir como é ser Livre...